segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Do alto
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Mr. Ziggy
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Escuro
debilmente em transe
sem olho nem boca
e assim, meio surdo.
Me dá teu escuro
tocando em mim
velando-me a morte
se eu sou teu sono.
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terça-feira, 25 de agosto de 2009
Espanca
Que fosse acético, inclusive. Bastava um endireitar de pontas em en dehors. Era suficiente que sangrasse e por aí deixasse o firmamento de um sangue que outrora talhou. E o resto, meu bem, era cheiro. Desagradavelmente assim: chulé. Daqueles que chegam e ficam. Sufocam e matam.
Ah, como é bom metaforizar os podres! E eu volto esguio. M' enguio. No mais escuro de meus ascos. Dá licença que eu quero o despojo. Vá se fuder, a lógica! Porque eu quero é um jeito vadio, um descompromisso picante. Da lama ao bom grado, do previzível ao acaso, do etéreo ao devasso. Vários todavias, inclusive. A poesia que invade e mancha. A lava que escorre e borbulha. Vulcões tão voláteis e anímicos. Meu lixo e meu luxo "imprestos".
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Perdição
No ponto de encontro dos nossos olhos, o mundo girou
A infinitude foi meu pano de fundo, e a sutileza de um sorriso difuso transladava meu desterro sereno. Me implodi em versos versáteis e te arranjei em sustenidos quaisquer. É o nó da metáfora que se lança ao léu e desmascara os acasos de desertos estridentes.
Por isso te pinto no escarcéu do traço. Enlaço-te enquanto me envolves por entrelinhas. A coragem não é mais ambígua. E me pulso em espalhar constante. É teu mar de estrelas reverberando em meu céu de ondas. Maremoto de areia. Minha paixão se explodindo em pós.
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
Nosso Azul
Ah, teus olhos... A imensidão mais bonita em que me perco e me desencontro. Um encontro tão lindo de duas freqüências que se permitem fundir o tom e o cheiro. De alcances e acasos. De almas e mel. O ponto exato onde o universo se torna detalhe e qualquer piscar de olhos teus é um motivo azul pra que eu me esqueça do resto. É marejar de mim e oceano nosso. Ponto sagrado de se abandonar e, por fim, ir. Respirar o gozo e se espalhar em águas aconchegantes. Meu mais belo afogamento. Teu mais suave sereiar. E se é pra se embrenhar em redes e moinhos, vagueio sob a lua de prata. Pois nas noites de calma e desejos suaves, devaneios meus te perseguem feito correntes do cais. A correnteza do meu querer. O pulso do teu foco. Meu pôr de sol mais escaldante. Minha sensação predileta. Nosso encontro. Ver as coisas perderem o foco e tua grandeza diante da minha vontade. Tua beleza fundida em meus suspiros. Todo azul do mar nos teus olhos. Minha sede, meu encanto. Este amor deslizando em mim.
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quinta-feira, 30 de abril de 2009
...
Engraçado que enquanto te sonho meu sono se torna mar. Em cada imagem que me invades, um novo andor. Sinto-me alado e me perco na pausa de nosso encontro, na interseção de olhares. Percebo-te na levada de um embalo sereno, no aconchego da toada do mar. O momento certo de me afogar sem perder o ar e de me engasgar com teu sorriso. O encontro em que se alcança a perdição por meio de um achado até outrora não visto. O bem querer do teu toque afoito, da pele imersa em doces e justas causas, enquanto almejo-te as conseqüências e me embaraço na tua órbita. O impulso perfeito pra mergulhar no turbilhão do caos e fazer do infinito mero detalhe, já que é diante dos teus olhos que tanto digo sem nada falar.
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terça-feira, 31 de março de 2009
Janela
Teus olhos são feito portais de madeira cristalina. Com toada de maresia calma e uma leveza de pedaço de céu. De uma transparência tranqüila onde me encontro numa nudez que não me envergonha. Porque se te olho assim como outrora fiz deixo de lado as palavras para não te perder de vista. Assim, sem piscar. Te dizendo com os olhos tudo que me é latente, tudo que me vem à tona enquanto perco o sono e o travesseiro se torna mar. No meu silêncio soando
Que é o medo
Se tua alma é luz
Se teu brilho é calma
Se meu olhar é rio?
Que é o acaso
Se te alcanço o foco
Se teu olho é mar
Se me acertou em cheio?
Um tudo que cresce.
O todo flutua.
Um toldo me cerca
De alcance e paz.
Te entrego a vírgula
Te mostro dois pontos
O meu exclamando
E o teu reticente.
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